Guia passo-a-passo para um InterRail:

         Olá e bem-vindo ao guia para o InterRail, em Português.
 
         O InterRail foi criado em 1972 sob a forma de um passe que permite viajar de comboio com preços reduzidos e grande flexibilidade. Com ele tornou-se possível viajar para quase qualquer parte da Europa desde que nesse local haja uma estação de comboios.
         O passe permite viajar livremente de comboio (geralmente em 2ª classe, embora também existam passes de 1ª classe) por um grande número de países e oferece descontos substanciais em travessias marítimas (ferryboats) em países como em Itália ou na Grécia. Tenha em conta que o preço do passe não inclui os suplementos necessários à reserva de lugares em certos comboios (ex.: comboios de alta velocidade) ou camas em comboios nocturnos.

         Nesta página encontrará um guia "de sobrevivência" e dicas para o seu InterRail ou para backpacking em geral baseado na minha experiência pessoal como InterRailer e viajante e em informação que se encontra dispersa pela Internet.

      I) Guia do InterRailler: 
      Passo nº 1: Conhecer o Passe InterRail
      Passo nº 2: Os Tipos de Comboio
      Passo nº 3: Preparativos
      Passo nº 4: Em Viagem 
      Exemplo(s) de Itinerário(s)
      FAQ - Perguntas Frequentes
    
      II) Outras Informações:
      Backpacking
      Documentário: InterRail 40 Anos (em Inglês)
      Comboios Noturnos
      Travel Light - Dicas para Viajar de Forma Leve
      IntraRail

      III) Sugestões de Alojamento:
      Hostels Recomendados
      Hotéis Recomendados


Travel Light - Dicas para Viajar de Forma Leve

         Viajar com pouca coisa é um dom que se vai melhorando com a experiência. No meu primeiro InterRail, novato que era, levei uma mochila com perto de 65 litros (!!), quase cheia. No segundo InterRail, levei a mesma mochila, mas para uma viagem duas vezes mais longa. Em viagens subsequentes, incluindo backpacking pelo sudeste Asiático, levei uma mochila de 40 (em algumas viagens curtas, 30) com bastante espaço livre. Já cheguei a ver viajantes com mochilas de 70 litros para cima: a não ser que esteja um ano inteiro a viajar, ficando pelo menos um mês em cada local, é um exagero.
         Quanto mais viajamos mais práticos e desenrascados nos tornamos e mais nos apercebemos do quão supérfluos e desnecessários alguns objectos são. Lembre-se de que se estiver a fazer um InterRail/backpacking e a viajar de cidade para cidade (seja num InterRail ou não) andará com a mochila às costas mais tempo do que imagina. Tente ser minimalista pois a felicidade e o prazer que tirará da sua viagem é inversamente proporcional à tralha que leva consigo: quanto menos coisas levar, melhor.

         Viaje com uma única mochila: não há necessidade de andar a viajar com mais do que uma peça de bagagem. Em vez disso leve como exuma pequena mochila de 12-50 litros, vazia, dentro da sua mochila principal para que possa deixar a grande no hostel ou num cacifo quando for explorar uma cidade. Não levar mala de porão pode sair mais barato (em operadoras low-cost) para além de não ter que esperar pela bagagem e de não correr o risco de a ver extraviada.
         Se quiser apoiar produtos nacionais, a Monte Campo é uma boa escolha pois é uma marca com história que produz mochilas de excelente qualidade e, diga-se, com muito bom aspecto. São um pouco caras, mas se escolher um bom modelo tem uma mochila para a vida. Se a produção nacional não for importante para si pode procurar mochilas da marca Berg (a marca outdoor da Sport Zone) ou da Quechua (marca da Decathlon), mais baratas ainda que a qualidade seja um pouco inferior.
         Uma mochila de 30 a 40 litros e com dimensões que permitam que seja levada como bagagem de cabine num avião é mais do que suficiente para uma viagem. Opte por uma mochila que dê para abrir tanto por cima como por trás/de lado, para que tenha fácil acesso ao seu conteúdo sem ter que a desfazer toda para chegar a algo que está no fundo.
         Se levar mais de 10 Kg, algo está errado. Faça a sua mochila, de seguida desfaça-a com apenas 2/3 do conteúdo anterior. Depois faça um test-drive: prepare a sua mochila tal como se fosse em viagem e seja turista por um dia, com ela às costas, na sua terra Natal. Pesa não pesa? Toca a atribuir prioridades e a deixar ficar para trás o menos importante. Deixe espaço extra na mochila, pois para poder transportar outras coisas que compre durante a viagem - por exemplo comida ou souvenirs.
         Para além do minimalismo, um dos segredos para conseguir levar o máximo possível com uma mochila pequena está na forma como a faz. Separe e organize as suas roupas usando sacos ("packing cubes"). Estes cubos ajudam a distribuir a roupa algo geometricamente dentro da sua mochila/mala. Se não encontrar ou não quiser gastar dinheiro nesses acessórios, uns sacos de plástico ou de pano fazem quase o mesmo efeito.

Use os chamados "cubos" para criar compartimentos e
organizar a sua roupa dentro da mochila. Em alternativa pode usar sacos normais.

         A não ser que estejamos a falar de um fim de semana, não leve uma peça de roupa diferente para cada dia de viagem, aliás: evite de todo levar mais do que uma muda de roupa (exceptuando roupa interior). Duas ou três t-shirts (incluindo a que leva vestida) são suficientes e pode sempre comprar uma ou outra t-shirt barata em viagem, como souvenir. Uma ou duas camisas, uma ou duas camisolas/sweatshirts e um par de calças (ou em vez disso, uns calções, dependendo do clima) extra também deve chegar. Não leve mais de dois pares de calçado: a regra é um par de botas/sapatilhas de caminhada + umas sandálias ou chinelos (para dias de calor e por questões de higiene, para tomar banho em sítios públicos).
         Assim, em vez de ir carregado com roupa, leva só o essencial. Depois é uma questão de ir lavando a roupa durante a viagem: seja com algum sabão e champô nas casas de banho dos hostels/hotéis seja pagando em lavandarias. Se possível, leve roupa que seque rapidamente - geralmente a roupa leve é mais rápida a secar.
         Leve roupa já gasta e com pouco valor monetário e sentimental. A roupa vai-se desgastar durante a viagem, especialmente quando a lavar a mão com frequência. Roupa cara chama à atenção a vigaristas e ladrões.
         Coloque os seus artigos de higiene dentro de um pequeno estojo. Leve só o essencial: escova de dentes, um tubo de pasta pequeno (pode sempre comprar mais durante a viagem), sabonete/champô em tamanho mini (ou não os leve de todo e compra quando chegar ao destino), repelente de insectos (se necessário), etc. Acrescente um rolo de papel higiénico espalmado e/ou lenços de papel. Nada de secadores, ferros para alisar o cabelo, etc.
         Lembre-se acrescentar um saco de congelamento transparente (daqueles zip-bags de meter no congelador) para colocar os líquidos caso viaje de avião. Corta-unhas, limas metálicas e lâminas de barbear são pelos vistos "armas de destruição em massa" e não podem ser levadas como bagagem de mão. Verifique a legislação em vigor dos locais por onde voará (ex.: à data, em voos na UE os frascos não podem exceder os 100 ml) para não ter que deixar nada para trás.
         Numa das minhas viagens experimentei levar um champô sólido que me tinham oferecido (da Lush, uma marca de cosméticos amigos do ambiente, mas certamente outras marcas comercializam produtos semelhantes). Devo dizer que fiquei positivamente surpreendido: o champô é incrivelmente concentrado e deslizando-o apenas duas vezes ao longo do cabelo (três, se tiver cabelo comprido) faz bastante espuma. Cheira muito bem, também pode ser usado para lavar a roupa (trust me, eu experimentei) num hostel ou hotel, e por ser tão concentrado dura bastante tempo (um durou-me para mais do que uma viagem). A isto junta-se o facto de ser leve e sólido, não causando chatices nos aeroportos.

Champôs sólidos, muito práticos para viagens.

         Alternativamente (ou juntamente com o champô sólido) pode arranjar um gel de banho tudo em um concentrado. Eu já usei um da "Sea to Summit" que realmente é bastante concentrado (bastam umas gotas), também pode ser usado para lavar roupa e é biodegradável. Tem o extra de conter citronella, que ajuda a manter afastados mosquitos e outros insectos (mas não substitui um repelente com DET), factor de pouca relevância num InterRail, mas importante em viagens por zonas como o Sudeste Asiático (Tailândia, Cambodja, Vietname...). Por experiência própria, digo que estes me duraram menos do que os champôs sólidos, mas são um bom complemento.

Gel de Banho + Champô + Detergente concentrado - tudo em um.
O frasco tem menos de 100 ml.

         Num outro estojo pode ter alguns utensílios de primeiros socorros (com pensos, toalhetes desinfectantes, juntamente com preservativos, medicação comum (aspirinas, imodium, ben-u-ron, nimed, etc.) ou outra de que possa precisar (convém levar a receita médica, se o medicamento a ela for sujeito).

Pequeno estojo de primeiros socorros.
Com pensos, toalhetes desinfectantes, gaze, ligaduras, etc. para ferimentos básicos.
Kits mais sofisticados valem a pena se tenciona fazer  montanhismo ou atividades radicais.

         Toalhas de bolso (microfibra) são uma excelente forma de poupar espaço. Uma vez enroladas e enfiadas no respectivo estojo, cabem na palma de uma mão. Secam rápido podem servir tanto para banho como para praia.

Nem imagina o espaço que  poupa ao levar uma toalha destas em vez de uma tradicional!

         Leve saco cama apenas se tiver intenções de fazer campismo ou dormir ao ar livre. Caso contrário, é um desperdício de espaço. Se levar, opte por um saco cama o mais fino possível. Se não quiser levar um saco cama mas mesmo assim quiser ir prevenido pode levar uma manta de sobrevivência: não sendo um substituto para um saco cama, são muito baratas, finas e ajudam a manter a temperatura. Procure-as na secção de campismo de uma loja de desporto (Decathlon, Sportzone, etc.).
         Nesta década está cada vez mais em voga levar computadores portáteis, tablets e outros gadgets em viagem. Eu pessoalmente aproveito a oportunidade para me desligar ao máximo de um mundo que nos afoga com informação e levo apenas o meu telemóvel - o qual ainda assim evito ao máximo usar - uma máquina fotográfica digital - as fotos são definitivamente o melhor e mais barato souvenir - e respectivos carregadores.
         Por um lado, admito que tablets/computadores devem ser certamente úteis para comunicar com a família, ou para fazer reservas e pesquisa. Por outro lado, um telemóvel satisfaz quase todas as necessidades tecnológicas: comunicações móveis, Internet, música e pode até levar um ou dois filmes se quiser. Também tira fotos, ainda que regra geral estas fiquem atrás de fotos tiradas com uma câmara. Para além disso, estes dispositivos de entretenimento ocupam espaço, tornam-no mais propício a ser roubado e (na minha opinião) fazem a sua experiência um pouco mais artificial.
         Embora não me diga respeito, entristece-me um pouco quando, em viagem, vejo algum backpacker a desligar-se do mundo real com o seu tablet ou portátil em viagem: jogos, facebook, reddit, etc. Posso estar a ser arrogante e retrógrada, mas dou mais valor a realmente experenciar algo novo e deixar que uma viagem me mude do que atualizar o meu facebook com uma nova foto em frente a um monumento para que todos vejam o "quão cool e viajado sou".

     Trajecto nº 1 - Capitais do Ocidente:

          Este é um itinerário "simples" que passa pelas principais capitais da Europa ocidental. Acaba por ser bastante mais caro do que um InterRail pelos países de Leste, mas ainda assim é de longe mais barato do que viajar nos países nórdicos (Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega).

          A viagem inicia-se em Lisboa. Com o "Lusitânia Comboio Hotel" parte-se para Madrid e lá se chega de madrugada. Muitos Portugueses não passam por Madrid, o que é um erro. Madrid tem muito para ver e surpreende muita gente por superar as expectativas. O hostel Los Amigos fica numa zona movimentada da cidade e tem um bom ambiente.

(Dê um salto à capital do nosso país vizinho. Ou se preferir vá de Madrid para Barcelona.)

          De Madrid é possível comprar um bilhete até Hendaye (estação fronteiriça, já em França) onde se pode apanhar o TGV ou um comboio nocturno para Paris, dependendo da hora. Ambos os comboios requerem o pagamento de um suplemento. Para o comboio nocturno não precisei de fazer reserva, bastou-me pagar o suplemento a um funcionário antes de embarcar.
          Em París tenha cuidado pois as zonas turísticas estão literalmente a abarrotar de gente, de pedintes, de aldrabões a praticar alguns scams (um adolescente marroquino tentou-me vender um bilhete de metro a metade do preço, quase de certeza que era um bilhete usado) e provavelmente de muitos ladrões e carteiristas. Nunca fui roubado, e acredito que qualquer pessoa que tenha um mínimo de atenção e bom senso também terá baixa probabilidade de o ser. Paris tem muito para ver. Se pretende entrar em museus, subir à Torre Eiffel, etc., prepare-se para estar algumas horas em filas de espera.

(Quando terminada em 1889, a Torre Eiffel era o edifício mais alto do mundo.)

          Uma vez saído da península Ibérica, as viagens fazem-se num instante. De Paris pode-se ir para Londres no Eurostar. É preciso reserva e o passe do InterRail não inclui este comboio, apenas dá direito a um desconto. Londres é uma cidade enérgica, com muito para ver. Para além disso, está muito bem servida de transportes públicos (autocarros, metros, bicicletas públicas de aluguer e, em último recurso, um dos inúmeros táxis). Alguns dos museus são gratuitos (ou apenas pedem que ofereça uma gentil doação - paga o que quiser), por isso trate de saber quais são e poupará alguns euros. Para atracções como o London Eye ou o museu de cera Madame Toussauds terá que passar algum tempo em filas, dependendo da hora a que vai.

(Do cimo do London Eye tem-se uma panorâmica espectacular de Londres.)

          Como o Eurostar não está incluído no passe, a sua viagem pode sair um bocado cara, por isso caso não pretenda visitar Londres (péssima ideia!!) pode ir de Paris para Bruxelas num outro comboio que não o Eurostar. Caso vá a Londres, terá que voltar a usar o Eurostar para sair do Reino Unido e chegar a Bruxelas.
          Bruxelas é mais um local sub-valorizado por muitos Interrailer's portugueses. No entanto tem muito para ver - a Grand Place, por exemplo - e provar (boa gastronomia!). De Bruxelas pode-se ir para Amesterdão num Inter-Cidades (se bem me lembro, não precisa de pagar nenhum suplemento - mas confirme sempre na estação!) em apenas 3 horas de viagem.

(A Grand Place, em Bruxelas. De 2 em 2 anos o centro desta praça é decorado com um enorme tapete de flores. Clique na imagem para fazer zoom.)

          Amesterdão é a conhecida cidade da loucura mas tem muito mais do que as coffeshops e o Red Light Disctrict. É de facto uma cidade lindíssima, e um exemplo para outras cidades - o número de bicicletas é inacreditável. Pode fazer mini-cruzeiros pelos canais, visitar a casa de Anne Frank, o museu de Van Gogh...

(Amesterdão, atravessada por vários canais. Quase todas as ruas principais têm vias para ciclistas, e pode-se deixar a bicicleta em qualquer lugar.)

          Pode apanhar um Inter-Cidades e ir para Berlim - a viagem demora 6 horas mas dá para apreciar a paisagem. Da última vez que vi, não era preciso fazer qualquer reserva e não havia nenhum comboio directo de Amesterdão para Berlim, era preciso trocar de comboio em Hilversum. Pode sempre dividir a viagem em duas: de Amesterdão vá para Frankfurt, visite a cidade e depois siga para Berlim no dia seguinte. O hotel/hostel MEININGER Hotel Berlin Hauptbahnhof fica mesmo junto à estação de comboios central, o que pode dar jeito se tiver que apanhar algum comboio de manhã cedo.
          Berlim brota criatividade e história. Poderá aprender mais sobre a segunda guerra mundial e a guerra fria; seguir o percurso do muro de Berlim e vivenciar uma cidade que outrora esteve dividida em duas e visitar o Checkpoint Charlie e o Portão de Brandenburgo.

(A Catedral de Berlim e a torre de TV ao fundo.)

          Não há viagem directa entre Berlim e Roma. Para ir a Roma deve primeiro ir a Munique. De lá pode apanhar um EuroCity (um Inter-Cidades internacional) e fazer uma viagem de 10 horas onde precisa de trocar de comboio uma vez. Horrível, não é? Em vez disso pode apanhar um comboio nocturno que faz a viagem toda em 12 horas, mas ao menos estará a dormir! Não se esqueça de fazer a reserva.
          Roma é uma daquelas cidades onde de 100 em 100 metros tem algum monumento para ver ou algo para aprender (passo o exagero). Sempre ouvi falar muito de carteiristas e outros tipos de gatuno em Itália mas, mais uma vez, nunca tive nenhum problema. De qualquer forma mais vale prevenir do que remediar. Como está em Roma pode dar um salto ao país mais pequeno do mundo - a cidade do Vaticano (pode-se ir de metro até uma estação próxima, mas vai-se bem a pé desde o centro de Roma). Quer seja religioso, quer não, sempre é um local bonito que merece a visita.

(Uma das sete maravilhas do mundo moderno - O Coliseu de Roma.)

(Cidade do Vaticano - O país mais pequeno do Mundo. Vale bem a pena visitar a Basílica de S. Pedro e os museus.)

          Já que está em Itália pode aproveitar para ir até Veneza. Há vários comboios que fazem essa ligação. São 4 horas de viagem. Veneza é sem dúvida invulgar, e tem o seu encanto. No entanto é tão badalada por turistas que tem os seus preços (muito) inflacionados e pode chegar a ter grande parte dos hotéis e hostels lotados.

(Veneza: muito bonita, muito visitada. Talvez seja boa ideia reservar o hotel/hostel um ou dois dias antes. Eu não reservei nada e não tive problemas, mas...)

          Para ir à Suíça deverá ir primeiro até Milão. De lá pode ir para Berna num EuroCity que necessita de reserva e faz a viagem em cerca de 4 horas. Na viagem poderá apreciar paisagens naturais de cortar a respiração. Aproveite a calma e tranquilidade da Suíça para relaxar antes da viagem de regresso.

(Berna, a capital da Suiça.)

          Quanto ao regresso a Portugal... Por um lado pode ir de Berna até Genebra e de lá até Irún (estação fronteiriça já em Espanha). De Irún pode ir até Madrid onde apanhará um nocturno para Portugal. Por outro lado pode ir de Berna até Paris. De París pode regressar a Portugal no mítico Sud-Expresso.
          Em baixo tem um mapa do percurso, onde estão marcadas as localizações das respectivas estações. Para ver melhor o mapa, clique aqui.




     Trajecto nº 2 - Europa de Centro-Leste:

          Este é um itinerário um pouco mais "aventureiro" que o anterior e passa por várias cidades para lá do antigo muro de Berlim. A duração ideal para este itinerário é de (pelo menos) 1 mês e para tal, pode usar um passe com essa duração, comprar um passe de 1 mês mais um outro de menor duração (por exemplo, 2 semanas ou um passe Flexi) ou então comprar um passe de 1 mês e pagar as viagens seguintes do seu próprio bolso - as viagens de comboio nestes países não costumam ser muito caras.
          Nesta região é bastante comum que funcionários de hostels ou até gente comum com quartos extra para alugar se encontrem nas estações de comboio à espera de turistas (geralmente, nas plataformas onde chegam os comboios internacionais) para os persuadir a ficar alojado no seu estabelecimento/quarto. Não tenha medo destas ofertas: se não tiver hostel reservado pode ser uma boa forma de ficar a conhecer um nas redondezas sem ter que perder tempo à procura e se ficar alojado na casa de um cidadão local tem o extra da experiência inter-cultural. Como sempre, use o seu instinto e senso comum para discernir se uma oferta é genuína. Caso prefira ir em viagem com alguns dos hostels planeados, pode pesquisá-los e reservá-los aqui.
          Relativamente à segurança, estes países são tão ou mais seguros do que qualquer país da Europa ocidental, não havendo motivo para ter medo de aventurar por estes lados. Se usar o seu bom-senso, diria até que as probabilidades de ser roubado ou enganado (por carteiristas e outros malandros) são menores do que em cidades como Paris ou Londres. No caso da Bósnia e Herzegovina: este é um país seguro mas não é recomendado o campismo fora de zonas assinaladas por ainda existirem minas dos conflitos armados da década de 90. No entanto, como muito provavelmente não irá para zonas rurais ou remotas, o risco é mais do que reduzido. Visite a lista de países do Portal das Comunidades Portuguesas para informações actualizadas sobre a segurança em cada país.
          É recomendável que leve passaporte para países como a Bósnia e Herzegovina, a Sérvia, a Croácia e Montenegro (embora as regras possam mudar entretanto).

         A viagem inicia-se em Berlim, ainda que esta cidade não faça propriamente parte do trajecto em si. Pode apanhar um voo barato de Portugal até lá (poupando assim muito tempo) ou fazer o percurso de comboio (conte com pelo menos 2 ou 3 dias para lá chegar). Caso não conheça a cidade, vale bem a pena perder um ou dois dias por lá, mas se estiver com vontade de conhecer alguns países um pouco mais diferentes pode passá-la à frente.
         Berlim tem ligações ferroviárias para a Polónia. Nesta rota, sugere-se que apanhe um comboio até Poznań - uma pequena mas encantadora cidade da região ocidental da Polónia. Mal se chega à Polónia, e se é a primeira vez que visita um país mais oriental do que a Alemanha ou a França, sente-se uma vibe diferente da dos restantes países Europeus. Nota-se também uma diferença agradável nos preços a comida e o alojamento (recomenda-se o Melody Hostel, pela relação qualidade-preço) são bastante baratos e a qualidade não diminui de todo. Poznań tem um centro histórico muito bonito, assim como diversas igrejas que merecem a sua visita.

Centro histórico de Poznań

         Após a sua primeira incursão pela Polónia, pode apanhar um comboio noturno até Cracóvia. Cracóvia foi durante séculos a capital da Polónia e possui um dos mais belos centros históricos do mundo e bastantes monumentos, sendo o seu castelo para muitos a cereja no topo do bolo.

Centro de Cracóvia

         Pode ainda usar Cracóvia como uma "base" para explorar outros locais relativamente próximos:

         - Por um lado, pode visitar os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau: sem dúvida um dos testemunhos mais negros de toda a história da humanidade. É possível chegar lá de comboio (da paragem Oświęcim é fácil de chegar aos campos em pé) e evitar essas "tours guiadas com tudo incluído" que partem de Cracóvia pois estas, para além de lhe esvaziar a carteira, são por vezes de muito mau gosto por tentarem considerar os campos de concentração como "apenas mais um interesse turístico" no mapa, quando na verdade estes devem ser locais de reflexão. Se for um adolescente com febre de tirar mais uma "selfie" no campo de concentração, então essas tours deverão ser o ideal para si. Se quiser experenciar o país e aprender a história do local, vá você mesmo e uma vez no campo compre um livro ou arranje um guia.

Entrada para o campo de Auschwitz com o slogan nazi "Arbeit macht frei" ("O trabalho liberta)

         - Em conjunção ou em alternativa pode visitar as minas de sal de Wieliczka (à distância de uma viagem de autocarro desde Cracóvia). O bilhete de entrada pode parecer caro mas a presença de guia é obrigatória (caso contrário perder-se-ia no labirinto que são estas minas!) e a experiência vale bem a pena. Passará por um lado subterrâneo, por uma igreja onde tanto o chão como todas as esculturas foram cravadas pelos mineiros a partir de sal e no final subirá num elevador mineiro até à superfície. Não recomendado a quem sofrer de claustrofobia ou não se sentir confortável sabendo que se encontra a mais de 50 metros de profundidade.

As minas de sal de Wieliczka podem chegar aos 327 metros de profundidade
e ter  mais de 287 Km de comprimento total. O percurso turístico, no entanto, tem cerca de 3 Km
a mais ou menos 65 metros de profundidade.

         Da antiga capital Polaca pode apanhar um comboio noturno até à bela cidade de Praga. Como sabe, ao usar um comboio noturno gasta perto do mesmo dinheiro que gastaria num hostel com a vantagem de que faz a viagem durante o sono ficando com mais tempo para explorar as cidades.
         Praga (veja o Dizzy Daisy Hostel) é uma cidade fantástica com muito para ver, desde o seu centro histórico (Staré Město) de telhados pontiagudos até ao castelo, palácio e até uma torre que parece imitar a torre Eiffel (torre de Petřín). A isto pode-se facilmente juntar boa comida, muita cerveja e diversão noturna q.b.

Praga vista da Ponte Carlos

         Um comboio noturno pode levá-lo até Viena (o A&O Wien Hauptbahnhof fica perto da estação e tem tanto de Hostel como de Hotel), num regresso temporário à Europa Ocidental. Alguns sentem-se aliviados por ver as ruas um pouco mais limpas, enquanto outros se sentem desiludidos ao verem a conta da primeira refeição ou dormida - uns dias na Polónia e outros na República Checa chegam para o deixar mal habituado!

Palácio de Schönbrunn e coche

         Deixe-se seduzir pela classe, pela arte e pela arquitectura de Viena. Visite os palácios de Schönbrunn e Belvedere e não se esqueça de famosa catedral de S. Estevão.
         Quando se fartar, ou quando achar que já gastou demasiado dinheiro, salte para o próximo comboio com destino a Bratislava.
         Esta capital (assim como toda a Eslováquia) tem injustamente má fama. Filmes americanos, como o Hostel ou o Eurotrip, completamente ignorantes e alienados da realidade, retratam-na como um sítio horrível e perigoso. Não podiam estar mais afastados da realidade: o centro de Bratislava é compacto e um prazer de se visitar; e se tiver tempo para ir visitar as montanhas (Tatras) e os inúmeros castelos deste país (para além do da capital) ficará apaixonado.

Algures em Bratislava

         Siga para Budapeste, uma cidade que o fará sentir-se pequeno. Tudo nesta cidade tem dimensões monumentais (herança do império Austro-Húngaro), desde as fachadas dos edifícios até ao palácio de Buda e ao castelo de Peste. Se precisar de dormir perto de uma das estações de comboio, o Interflat Hostels & Apartments dispõe de camas confortáveis a um bom preço (embora consiga arranjar preços mais baixos se se afastar desta zona mais central).

"As noties de Budapeste; são noties de rock and roll."

         Com tanto para explorar certamente ficará cansado. Porque não fazer uma merecida pausa num dos tradicionais SPAs? Piscinas de água quente (interiores e exteriores) onde algumas pessoas se sentam para partidas de xadrez, jacuzis, banhos turcos, saunas seguidas de um banho em água fria... A entrada num destes SPAs é bem mais barata do que você julga e a experiência vale mesmo a pena.

Banhos medicinais de Széchenyi. À esquerda, reformados jogam xadrez.
Como alternativa tem o Gellert Spa.

         Abasteça-se de comida em algum supermercado e prepare-se mental e fisicamente para uma longa viagem até à capital da Eslovénia - o primeiro país a abandonar a antiga república da Jugoslávia em 1991, no início dos conflitos. Esta faz-se a um ritmo lento onde é possível apreciar as paisagens naturais e rurais.

A caminho da Eslovénia, verde esmeralda

         Ljubljana é uma cidade adorável à beira-rio. Pequena (na minha opinião, visitável em apenas um ou dois dias, mas certamente alguém discordará de mim) e com uma ambiência algures entre o Balcã (herança da antiga Jugoslávia) e o ocidental (resultado da proximidade com a Itália). Não deixe de visitar o castelo para uma vista panorâmica sobre a cidade.

Ljubljana, perto da conhecida "Ponte Tripla"

         Da Eslovénia segue-se para a primeira visita à Croácia (voltaremos cá dentro de uns dias!) - por agora visita-se a capital Zagreb. Na minha opinião esta não é uma cidade tão fascinante como algumas por onde este itinerário já passou mas ainda assim merece uma visita. Sem dúvida encontrará mais prazer em visitar Dubrovnik (por onde passaremos mais tarde) ou em Split.

Teatro Nacional da Croácia, em Zagreb.

A bandeira lusa na embaixada de Portugal na Croácia

         A viagem entre Zagreb e a capital Sérvia (Belgrado) é também longa (ais de 6 horas). Se não existir um comboio noturno entre estas duas cidades (à data, não existe) aproveite para ler um livro, ouvir música, meter conversa com os locais e relaxar. Belgrado - que ainda possui algumas cicatrizes dos bombardeamentos que a NATO efectuou em 1999 durante os conflitos do Kosovo - é uma cidade movimentada (alguns dirão um pouquinho caótica) e famosa pela sua vida nocturna. De dia, pode visitar o forte e a catedral de Belgrado.

Belgrado à noite. A caminho desta cidade o comboio
passará por uma zona de "Novi Beograd" (nova Belgrado) que
não tem muito bom aspecto. Não se assuste, Belgrado é uma cidade segura como qualquer outra.

Ruínas do antigo ministério Jugoslavo da defesa,
bombardeado em 1999

         Um comboio noturno (com camas em vez das tradicionais couchettes e bastante classe, diga-se!) leva-o até à Bucareste, na Roménia. Daí pode apanhar o primeiro comboio até à Transilvânia para visitar a acolhedora cidade de Brașov (veja o Gabriel Hostel para boas dormidas a um preço muito acessível).
         Tanto a cidade como os seus arredores são muito bonitos. O castelo de Bran, conhecido como "o castelo do conde Drácula" está à distância de uma curta viagem de autocarro e se perguntar aos empregados do hostel de certeza que o ajudam a chegar lá.

Brașov, na Roménia

No castelo medieval de Bran (Castelul Bran, em romeno)

         O regresso faz-se por Bucareste, cidade onde pode parar para uma visita. Esta é uma cidade monumental, gigantesca, com o maior e mais caro edifício civil em funcionamento - o Palácio do Parlamento - mesmo em frente a um enorme boulevard que podia muito bem situar-se em Paris (Bucareste foi em tempos apelidada de "a Paris do Leste"). Fora isso, não é uma cidade extremamente agradável nem interessante, especialmente depois de se ter visto as regiões mais campestres do país. Se não tiver interesse em conhecer esta cidade, pode passá-la à frente.

O colossal Palácio do Parlamento, em Bucareste

         A jornada continua apanhando um comboio noturno de volta a Belgrado, a partir de onde é possível apanhar um ou dois comboios até Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina. A Bósnia é ainda uma pérola relativamente escondida do turismo em massa, com uma cultura interessante (bastante influenciada pelo médio-Oriente), gente simpática, paisagens bonitas e, infelizmente, uma história bastante triste.

Crianças brincando, algures em Sarajevo

         Visite a Mesquita Gazi Husrev-beg, a igreja de S. António e a velha igreja Ortodoxa - edifícios de 3 religiões distintas, tão perto uns dos outros. Passeie pelo mercado antigo de Sarajevo e por momentos esquece-se que está na Europa. Veja a ponte Latina onde o assassinato de Franz Ferdinand deu origem à primeira guerra mundial. Quando estiver satisfeito, apanhe o comboio para Mostar. Tente fazer esta viagem durante o dia pois é, para muitos, um dos percursos ferroviários mais belos de toda a Europa.

Mostar, com a icónica ponte ao fundo: na minha opinião,
esta cidade é um dos pontos altos deste trajecto.

         Mostar é uma cidade magnífica. Pequena, mas com muita história, é atravessada por um rio com uma cor lindíssima e rodeada por uma paisagem de cortar a respiração. Visite a famosa ponte que dá o nome à cidade ("most" quer dizer ponte) e de onde alguns locais corajosos se atiram em troca de dinheiro. O rio é um prazer de se nadar no Verão. Visite também a mesquita Koski Mehmed Paša (por um preço simbólico, pode subir ao cimo do minarete para uma vista panorâmica da cidade).

Mostar, no crepúsculo

         Miran (o carismático dono do Hostel Miran) organiza excursões nas quais ensina sobre a história da cidade, em particular a guerra durante a separação da antiga Jugoslávia. Algumas das suas excursões, levam-no a pérolas da Herzegovina, escondidas da maioria dos turistas. Mesmo que não esteja interessado nas excursões este hostel tem carácter, boa localização e é barato (na altura, 10€ por noite!).

Em Mostar. A cultura ocidental da Europa mistura-se
com a herança Otomana.

         A partir daqui o desafio é ir onde nem todos os InterRailers vão e o próximo destino é Dubrovnik, a pérola do Adriático. Digo que poucos InterRailers vão pois durante uns dias não utilizará o comboio: Dubrovnik não tem estação de comboio, por isso pode apanhar um autocarro barato desde Mostar (a estação de autocarros é adjacente à de comboios).

Dubrovnik: apesar de se estar a tornar cada vez mais turística é
na minha opinião mais um dos pontos altos deste trajecto.

         Dubrovnik é já há algum tempo um local de grande interesse turístico. Acredito que, após a estreia da série "A Guerra dos Tronos" ("A Game of Thrones"), se tenha tornado ainda mais popular pois é aqui que se fazem grande parte das gravações passadas em "Porto Real" ("King's Landing"). Por ser tão popular, os preços do alojamento podem ser bastante inflacionados. Alguns donos de guesthouses esperam os turistas na estação de comboio e tentam persuadi-los a ficar no seu estabelecimento, aproveite e tente regatear o preço.

Nas muralhas de Dubrovnik.
Sem dúvida mais interessante do que Zagreb.

         Suba até às muralhas da cidade para uma vista que ficará para sempre na sua memória (vale bem o preço de admissão) e passeie pelo centro histórico de dia e de noite. Aproveite para fazer praia. Não se pode dizer que exista grandes areais - são praias rochosas - mas as águas do Mar Adriático são tão agradáveis que não dará pela falta.

A cor não engana. Esta água é do melhor que encontra na Europa.

         Compre um bilhete de autocarro para o próximo destino: Kotor, em Montenegro. A viagem de autocarro inclui uma travessia aquática onde o autocarro é levado por um ferry.
         Kotor é também uma cidade rodeada por uma muralha, tal como Dubrovnik, mas com um aspecto mais antigo que a faz parecer saída de um filme do Senhor dos Anéis. Explore a parte velha a cidade, visite a catedral ortodoxa (é interessante ver as diferenças entre Igrejas Católicas e Ortodoxas) e finalmente, se ainda tiver energia, suba (1350 degraus) até às fortificações/muralhas para uma vista panorâmica.

Zona histórica: a parte velha da cidade.

         Sacuda o pó da mochila pois está na altura de iniciar a viagem de regresso. De Kotor pode apanhar um autocarro até Bar, uma cidade portuária. No porto pode comprar uma passagem de ferryboat, preferencialmente durante a noite, até Bari (Itália). O bilhete destes ferryboats não está incluído no passe InterRail e não vale a pena pagar mais dinheiro para reservar uma cabine ou cama: compre um bilhete para o Deck do navio, arranje um canto confortável algures no navio e durma no chão, embalado pelas ondas do mar. A sua mochila ou um saco com alguma roupa fazem boas almofadas.
        (Se não achar que está na altura de voltar, aventure-se pela península abaixo! Apanhe um autocarro até à Albânia (à data, a Albânia não tem ligações ferroviárias internacionais) ou vá até à Bulgária. Entre pela Grécia adentro e vá passeando de ilha em ilha ou aventure-se pela Turquia! Tudo depende do tempo e dinheiro disponíveis. Porém, nesta sugestão de itinerário a viagem de regresso inicia-se agora por Itália...)

O ferryboat entre Bar (Montenegro) e Bari (Itália).
A viagem à noite poupa uma dormida e é interessante: estará em alto mar
sem conseguir ver nada senão escuridão à sua volta durante umas boas horas.
Para poupar nesta travessia (que pode custar mais de 60€ e não está incluída no passe)
compre um bilhete para o deck do navio e não reserve quarto/camarote.

         Chegando a Itália regressamos à rotina de InterRailer pois voltamos a usar comboios e o passe. Por isso trate de arranjar um comboio até à região da Toscana para visitar Florença, uma cidade que sem dúvida merece um par de dias - pelo menos - da sua viagem. Já que se encontra em Florença, pode fazer uma curta viagem até Pisa. Sinceramente, em Pisa, não acho que haja muito para ver para além da torre e até os milhões de turistas que lá vão para se acotovelar e tirar a "foto da praxe" devem concordar comigo. De qualquer modo, a torre é sem dúvida uma atracção que merece ser vista.
         Em termos de alojamento, os hostels são um pouco mais escassos do que nos países por onde passámos até agora mas há inúmeras guesthouses e vários hotéis de 1* a 3***. Como estas zonas são bastante concorridas por turistas, convém reservar o seu alojamento com antecedência, ou corre o risco de encontrar os hotéis mais baratos completamente lotados.

A ponte velha de Florença. Florença está cheia de turistas mas vale bem a visita.

Ainda não caiu...

Roma. Para quem não visitou: paragem obrigatória.
Para quem já visitou: considere uma segunda visita.

         Alternativamente, em vez de Florença e Pisa pode ir a Roma (veja o Trajecto nº 1 - Capitais do Ocidente para mais), uma das cidades mais carismáticas, culturais e interessantes da Europa.
         O trajecto termina aqui. Na minha opinião, este é um percurso bastante mais interessante do que o anterior. Não só a diversidade cultural é muito maior, como os preços são bem mais baixos. Os pontos altos do itinerário são sem dúvida Mostar, Dubrovnik, Praga, Kotor, Florença/Roma. Cracóvia e as duas visitas sugeridas (Auschwitz e as minas de Sal) são também muito interessantes. Se não dispuser de muito tempo, pode sem grandes remorsos passar Zagreb, Ljubljana e Bucareste à frente, deixando-as para futuras viagens. Viena pode também ser colocada de parte e em vez disso inserida num percurso de cidades ocidentais.
         Para regressar a Portugal pode apanhar um voo barato a partir de Itália ou fazer a viagem Itália-Suíça-França-Espanha-Portugal de seguida, como indicado no "Trajecto nº 1 - Capitais do Ocidente".

Exemplo(s) de Itinerário(s):
          Perdido? Indeciso? À procura de inspiração? Aqui pode encontrar algumas dicas e recomendações sobre onde ir no seu InterRail.
          Planear o seu próprio trajecto faz parte de todo o gozo de fazer um InterRail, por isso é má ideia simplesmente procurar um itinerário já feito na Internet e segui-lo passo a passo (para isso mais vale fazer uma viagem tradicional, onde tudo está organizado por uma qualquer agência de viagens...). No entanto ficam aqui exemplos de itinerário para dar uma ideia do tipo de viagem que pode fazer.

          Trajecto nº 1 - Capitais do Ocidente
          Trajecto nº 2 - Europa de Centro-Leste 

Estação de Belgrado. Aventure-se pela Europa de Leste.

Berna, a capital da Suíça.

IntraRail:

       Agora é mais simples descobrir Portugal, seja a praia, o campo, a cidade ou a história.
       Vem descobrir Portugal sem levar a cama às costas. 
 
     O passe:
         A versão "vá para fora, cá dentro" do InterRail. Ideal para ficar a conhecer melhor o nosso país, para jovens iniciados em viagens (uma espécie de treino para o InterRail) ou se não puder dispor de dinheiro num InterRail.
         Os cartões IntraRail permitem viajar livremente nos comboios da CP e partir com a certeza de que de Norte a Sul do País encontrará sempre alojamento numa Pousada de Juventude.
         Estes cartões são válidos durante 3 ou 10 dias, dentro de 4 zonas pré-definidas.

Comboio Inter-Cidades da CP.
 
        Modalidades:
  
         Existem duas modalidades: INTRA_RAIL xcape e INTRA_RAIL xplore.
 
         INTRA_RAIL xcape (3 dias):
         Pode ser usado durante três dias numa das quatro zonas (A, B, C e D) de Portugal e inclui:
         - Viagens gratuitas em comboios Inter-Cidades (2ª classe), Regionais, Inter-Regionais e Urbanos.
         - 2 noites de estadia, em quarto múltiplo nas Pousadas de Juventude. Pode também optar por dormir em quarto duplo, pagando a diferença entre os preços de quarto múltiplo e duplo na Pousada de Juventude.
 
         INTRA_RAIL xplore (10 dias):
          Pode ser usado durante 10 dias emm duas zonas adjacentes - AB, BC, CD e inclui:
         - Viagens gratuitas em comboios Inter-Cidades (2ª classe), Regionais, InterRegionais e Urbanos.
         - 9 noites de estadia, em quarto múltiplo nas Pousadas de Juventude. Pode também optar por dormir em quarto duplo, pagando a diferença entre os preços de quarto múltiplo e duplo na Pousada de Juventude.
 
     Onde comprar:
         Os cartões IntraRail são vendidos em todo o país, nas estações de venda CP, Pousadas da Juventude, Loja Movijovem e Lojas Ponto JA (do IPJ).
 
Estação ferroviária da CP: Porto - São Bento.
 
      Quanto custa:
 
         INTRA_RAIL xcape:
         - Maior de 30 anos: 69€;
         - Dos 12 aos 30 anos s/ Cartão Jovem: 59€;
         - Dos 12 aos 30 anos c/ Cartão Jovem: 53€;
 
         INTRA_RAIL xplore:
         - Maior de 30 anos: 239€;
         - Dos 12 aos 30 anos s/ Cartão Jovem: 199€;
         - Dos 12 aos 30 anos c/ Cartão Jovem: 173€;
 
         Estes preços podem estar desactualizados. Para os preços mais recentes consulte o site da CP.
   
Estação ferroviária da CP: Bombarral.
  
     Mapa e zonas:
         
Clique na imagem para fazer zoom. Este mapa pode mudar, consulte o site da CP.

     Como funciona:
         
         Primeiro Passo: Validar o cartão.
         Antes de usar o IntraRail, coloque o nome de utilizador e dirija-se a um ponto de validação (Estações da CP e Pousadas da Juventude), onde será carimbado o cartão com a(s) zona(s) e a data de início da aventura.

         Segundo Passo: Escolher a estadia.
          Reserve a estadia, seja para 2 ou 9 noites, directamente nas Pousadas da Juventude. Ligue para a linha da Juventude (707 20 30 30) e indique o número do cartão, tendo em conta que a sua reserva está sujeita à confirmação de disponibilidade.

         Terceiro Passo: Entre no comboio.
         Com o IntraRail pode viajar gratuitamente pela(s) zona(s) que escolheu, em todos os comboios Inter-Cidades (2ª classe), Regionais, Inter-Regionais e Urbanos desde o 1º dia de viagem até ao 3º ou 10º dia, conforme o cartão que possui. Antes de entrar no comboio, dem de solicitar na bilheteira a emissão do seu bilhete apresentando o cartão IntraRail, o BI e o Cartão Jovem (se o tiver).
         Caso o local de partida não pertença à(s) zona(s) escolhida(s), pode deslocar-se até lá pagando o bilhete normal, com um desconto de 20%.